Os encantos de Cunha

Se pudermos resumir em uma frase, diríamos que não fomos até Cunha, Cunha veio até nós.

Cunha é a cidade do encantamento,  seja pelo clima ou pelas diversas formas de lazer que oferece. Uma boa opção para quem quer passar o Carnaval longe do oba oba; é um recanto de natureza pra você ir num feriado; no friozinho é romântico ; e pra você que já conhece outros locais como Campos do Jordão, como foi o nosso caso, por exemplo.

Vista de Cunha – Rodovia Cunha – Paraty

NOSSA VIAGEM

No Feriado prolongado de Corpus Christi, em junho desse ano, uma das nossas primeiras opções era ir à praia e fugir dos dias frios e chuvosos aqui no interior de São Paulo. Mas na correria da semana, tudo ficou para última hora mesmo.

Cheguei do trabalho, conversamos Praia ou Serra, a meteorologia não dava sorte e optamos por Serra em SP ou Sul de MG. Falamos de Cunha, por alto, vendo alguns posts de viagem. Já na quinta de feriado, procuramos um lugar para ficar e todos estavam lotados. A hora foi passando e nada. Até que a Ju lembrou de uma que tinha visto no Instagram na noite anterior : Espaço Flor das Águas .

Perfeito, um quarto vago! A essa altura do campeonato nos sentimos as pessoas mais sortudas. Tivemos certeza quando começamos a ler sobre a pousada no site deles e tudo se encaixou… a vibe do lugar, a alimentação totalmente vegana, a comunidade na propriedade e terapias integrativas que tinham tudo a ver com a gente.

SIMPLIFICANDO A CIDADE

Cunha é uma cidade bem montanhosa, com algumas ladeiras bem ingrimes. É bom ter cuidado com carros de trações dianteiras, conforme a ladeira pode se encontrar dificuldades na subida. =D Não é a toa que é muito conhecida como a cidade dos Fuscas! Só mesmo um Fusca  ou um 4×4 pra aguentar tanta ladeira!

Por isso, entendemos que o meio mais fácil de se deslocar para quem não é de lá é sempre usar a estrada que a contorna: a Rodovia Cunha – Paraty. 

No primeiro acesso, você entra pelo Portal da Cidade, muito útil para quem quer acessar a principal avenida que tem algumas lojas de cerâmica, pousadas/hotéis, posto de gasolina.

Já o segundo acesso você pode entrar na principal rua dos ateliês de cerâmica e jóias / semi-jóias. Cunha é conhecida pelas cerâmicas que, já é tradição na cidade existem muitas pessoas que vivem disso. É por esse acesso também que você chega ao Drão Restaurante (a rua no canto direito). Do outro lado da Rodovia tem um posto de gasolina.

O terceiro acesso é o mais próximo da pousada que ficamos e também é a rua de dois restaurantes bem conhecidos da cidade (ou pelo menos nas reviews que vimos) :  Restaurante Quebra Cangalha e Veríssima Bistrô.

Além disso, é a rua do ateliê de cerâmica que mais gostamos e que pertence a um casal que mora em Cunha há muitos anos, o Cristiano e Sandra Quirino, o qual vamos falar melhor a seguir.

nota Importante:

Vários lugares e pontos turísticos não tem sinal para as máquinas de cartão e acesso à internet ou não aceitam cartão de crédito/débito. Então, leve dindim 💵  ! Como não é difícil gastar lá, prepare o bolso para não ficar na mão quando mais precisar.

LUGARES E PONTOS TURÍSTICOS

Pela Rodovia Cunha- Paraty há vários pontos de parada e também placas indicativas de lugares e pontos turísticos.  Iremos falar melhor em outros posts, mas desde já precisamos ressaltar locais que tornaram nossa experiência em Cunha muito especial e inesquecível. São eles:

➡️ Delícias na Roça 

Se tem um lugar que nos ganhou, foi esse! Apelidamos o “Delícias na Roça” de Slow Food da Roça.  O menu é o do dia, mas é aquela comida caprichada feita no fogão a lenha.  Peça logo uma porção de mandioca, prove as caipinhas do Sr Osair , enquanto aguarda seu almoço. Vá sem pressa! Chegamos 12h30 e só partimos por volta das 15h.

A experiência completa você confere aqui: Restaurante Delícias na Roça.

➡️ Raízes, Bistrô Italiano

O Raízes é outro local que nos encantou. Um pequeno bistrô dos chefs André e Rosinha, que reuniram seus 10 anos de experiência em cozinhas internacionais, alguns com estrela Michellin, na Itália e França e escolheram a cidade de Cunha para viver e ter seu próprio negócio.  O bistrô oferece menu degustação “Mare” e “Monti”, além de vários vinhos. Uma cozinha mais italiana, mas com o aconchego do campo.

Confiram : Raízes Bistrô.

➡️ O Contemplário

Há dois lavandários bem conhecidos em Cunha, são eles: O Lavandário e Contemplário.

A escolha mais acertada da manhã em nosso primeiro dia, foi visitar o Contemplário. Isso porque O Lavandário estava com estacionamento lotado logo pela manhã, então seguimos mais adiante rumo ao Contemplário.

Chegando lá, o dono que também possui alguns chalés para locação nos passou as infos da propriedade, de onde era permitida a circulação e que podíamos usar o deck para relaxar e/ou tirar fotos.

Detalhe: É gratuito! Ele não cobra a entrada na propriedade dele. Você pode aproveitar a vista do local, tomar um café e ainda comprar algum produto na lojinha.

Como era cedinho, pudemos curtir bem o deck, ouvir o som das abelhas, sentir também as plantas aromáticas da propriedade e relaxar.  Esse perfil de negócio local chama a atenção da Ju, porque tem um tom mais intimista e ela gosta de produtos artesanais. O preço é acessível, tem para todos os bolsos.

➡️ Atelier Cristiano e Sandra Quirino

O Cristiano nos recebeu muito bem, contou um pouco da história da cerâmica na cidade, mostrou o interior do ateliê dele e de sua esposa (que não estava lá naquele momento). Ele também compartilhou sua história pessoal e do que levou eles à Cunha. Vale a pena passar lá e trazer algumas peças como lembrança.

O que esses locais tem em comum: a essência.

Você sente no lugar ou nos donos uma certa mágica, que te faz refletir sobre caminhos da vida, os desafios e alegrias de cada escolha que fazemos ao seguir nossa intuição. Seja colocando aquele sentimento no prato, em proporcionar um espaço para você admirar a vista e sentir os aromas, ou ao contar a história que originou aquele produto que você está levando para casa.

Parece um tanto clichê dizer isso, mas cidades turísticas às vezes perdem um pouco do encantamento, pois quem sobrevive do turismo pode entrar no piloto automático e esquecer do seu propósito.

Resumo

📍 DIA 01 – Saímos por volta de 12h e chegamos à Cunha quase 17h. Como o dia foi praticamente na estrada, resolvemos nos acomodar e conhecer algum restaurante na cidade.

Pousada Flor das Águas – Acesso aos quartos

 

Restaurante Quebra Cangalha

Conhecemos o Quebra Cangalha e o Drão Restaurante. Preferimos o Drão, pois o cardápio era muito criativo, valorizando os produtos da região adotando uma cozinha mais contemporânea e brasileira. Mas é preciso chegar cedo, o local é uma casa com várias mesas, ambiente aconchegante e recebe muitos clientes, principalmente em feriados.

Além disso, avaliamos muito a questão do custo x benefício e para nós os valores estava adequado ao nosso orçamento.  As geleias são maravilhosas, por isso peçam algum aperitivo enquanto aguardam. Só fujam do suco de Grapefruit, porque a Ju achou azedo além do normal. Há também uma lojinha anexa, aproveitem para dar uma olhadinha.

Nesse primeiro dia, nos distraímos tanto que nem lembramos de tirar algumas fotos.

Drão Restaurante e Ateliê

 

📍DIA 02 – Começamos o dia rumo ao Contemplário, como citamos acima e também visitamos o Moara. Uma das coisas que gostamos no Moara e que sugerimos experimentar é a tortinha de berinjela com ricota e nozes. A cachaça de Cunha também é muito boa e não pode faltar um cafezinho no final!

Moara Empório e Café

 

Logo em frente ao Moara, há um monumento que homenageia a memória de Paulo Virginio, um agricultor tido como herói e mártir da Revolução de 1932, que ao se negar a revelar posições das forças constitucionalistas, foi obrigado a cavar sua própria cova e em seguida, sendo executado.

Chegamos ao “O Lavandário” perto do horário de almoço. Talvez seria melhor ter ido ao final da tarde, primeiro pelo Sol e calor, mas principalmente pela luz e vista que fica melhor ao final da tarde.

Lá você paga para ter acesso a essa vista, a entrada é R$15,00 e a lojinha/café tem o apelo da lavanda em quase tudo. É super válido experimentar, só prepare o bolso! Acho que foi um dos poucos lugares que a gente viu um tipo de estrutura mais turística e não tão rústica. E isso tem um preço, não é mesmo?


O almoço foi no Bistrô Raízes e fizemos uma parada no Café Capril no final do dia.  Lá possui uma produção de leite, queijos e um café para experimentar os produtos de fabricação própria.

Optamos por jantar na pousada e relaxar para o próximo dia.


📍DIA 03 – Dedicamos o terceiro dia para visitar os ateliês de cerâmica e jóias da cidade.

Cerâmica de Cristiano e Sandra Quirino. Peças modeladas a mão e queimadas em forno de alta temperatura (1300ºC).

 

Seguimos rumo ao Delícias na Roça. O caminho é longo, mas vale a pena. No caminho paramos na  Oficina da Lã, uma casa de trabalho tradicional e familiar com a lã bruta.

No final da tarde fomos visitar também a Casa do Artesão, espaço que reúne cerâmicas, artesanatos e também lembranças pra você levar de Cunha.

📍Regresso

Como ficamos sabendo da revitalização da Estrada Real, optamos por descer até Paraty e retornar pela Rio-Santos. O único trecho que requer mais atenção e cuidado fica mais ao final, onde passa apenas um carro por vez.

Estrutura para passagens de animais.

Vista de Paraty na Estrada Real

 

Volta para casa, já em Ubatuba. Saudades do Mar!

Roteiro de Viagem

Uma das coisas que leva mais tempo é a etapa da pesquisa, quando a gente resolve viajar e não tem a mínima ideia do lugar. Dessa vez, não foi diferente e vamos deixar algumas dicas que nos ajudaram a planejar, mesmo que de última hora nossa viagem:

📍Instagram oficial da Cidade de Cunha – Ele foi nosso primeiro e grande aliado nessa viagem. Quando uma cidade investe em redes sociais e outras ferramentas para promover o turismo da região, isso faz todo mundo feliz. Tornou nossa vida muito, mas MUITO mais fácil. Além disso, compartilham fotos dos viajantes que passam por lá. Muito bacana, confiram!

📍O TripAdvisor foi o maior aliado para ver recomendações de lugares para comer e ter informações de turistas sobre pontos turísticos.

📍Google Maps – Quando você não tem tempo, não tem jeito. Tem que “pinar” os lugares que você deseja visitar para não ter que ficar rodando na cidade e perder nada de vista.

📍Na pousada, hotel, restaurante ou qualquer outro ponto que você chegar primeiro, peça o mapa oficial da Secretaria de Turismo da cidade.  Isso ajuda muito na hora de escolher os passeios e se encontrar por lá também! 

Um final de semana é suficiente? Na nossa humilde opinião, não.  Tem muitos lugares para conhecer por lá! Ficamos 3 dias e faltou visitar as cachoeiras, a subida à Pedra da Macela e visitar a cervejaria. Como resolvemos seguir pela Estrada Real rumo à Paraty e retornar pra casa pela Rio-Santos, percebemos vários locais mais distantes que faltaram visitar.

Em geral, você se desloca muito na região de ponta a ponta mesmo, então o que sugerimos são 4 dias para poder curtir bastante as opções gastronômicas, viver algumas aventuras (caminhada, trilhas) e conhecer o artesanato da cidade.

Bons motivos não faltam para voltar à Cunha!

 

Posted by trilhadalente

Somos um casal que decidiu reunir seus destinos e fotografias para inspirar pessoas.

One comment

  1. Amei, viajei através do seu texto! Qdo puder vou fazer esse passeio! Adoro lavanda! Bjd

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